Eróticas

Eróticas

De Núcleo Feminista de Dramaturgia

Elenco: Núcleo Feminista de Dramaturgia

Dramamix, SP Escola de Teatro

Uma mulher à espera. Uma mulher em espera. Uma mulher sob espera. Esperar é quase sempre por-se na condição de predicado, à espera do sujeito da oração. Retomar o lugar na sentença é curvar o destino, provocar as expectativas. Em “Eróticas”, três mulheres estão à beira do colapso em esperar pelo outro, ora Deus, ora uma namorada, ora o amor romântico. Uma espera que não finda, que não se concretiza. Em alguma medida, esperar é constatar a impossibilidade de agir e que, diante disso, é preciso esperar o milagre, o imponderável. Há, porém, uma fagulha que se aponta: na primeira mulher, a impaciência é silêncio, respiração, inquietação presa; na segunda mulher, a impaciência é verbo, palavra destilada, consciência falada; na terceira, a impaciência é ação, reação, jogo estabelecido, risco. Nesse sentido, o exercício me convoca a pensar sobre o incômodo, sobre sentir-se mulher no mundo, sobre compreender dentro de mim as limitações que me destinam a espera e, enfim, a esperar por aquilo que não virá e eu bem sei.

por Ana Carolina Marinho


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