Apresentação

Satyrianas do Amor

Sem medo do clichê

As Satyrianas de 2018 pretendem celebrar a resistência do amor no Brasil hoje. Os tempos estão difíceis, de conflito flagrante. A crise econômica também é política, moral e ideológica e levou a sociedade brasileira a um estado de beligerância insuportável.

Como fruto dessa crise, temos radicalismos, intolerâncias, ódios, violências gratuitas. Esse é nosso cotidiano. Enquanto fingimos que vivemos normalmente, as notícias só escancaram o terror. Saímos às ruas, trabalhamos, namoramos, conversamos, convivemos. Mas não temos mais coragem de nos encarar nos olhos com tranquilidade. Não podemos. Não devemos. Temos medo. E assim passamos os dias: cercados por tiroteios emocionais, com medo de balas perdidas e a angústia diante de um futuro sombrio sem fim.

Partidos tentam matar o amor. Religiões tentam matar o amor. Radicalismos tentam matar o amor. Preconceitos tentam matar o amor. Até mesmo filhos matam o amor pelos pais (e vice-versa). E esposos matam as esposas. Assim como identidades de gênero geram repulsa e incompreensão. Estamos entre os países que mais matam mulheres, negros, homossexuais, travestis, transexuais. Enfim, são muitos os riscos a que se submete o amor neste país.

As Satyrianas deste ano também celebram o seu retorno ao espaço aberto da Praça Roosevelt. Depois de um ano de interdição e cerceamento, entendemos esta conquista como um sinal de que o amor pode vencer o ódio, e o encontro e a convivência podem se mostrar mais potentes do que a intolerância e a intransigência. É isto o que pretendemos celebrar este ano: o prazer de estar com o outro e construir juntos a cada instante.

Alguns estímulos para pensar sobre o amor:

Para os gregos, o amor pode ter as seguintes feições:
O amor cheio de desejo e paixão sexual – Eros
O amor pelo amigo, pelos iguais – Philia
O amor na família – Storge
O amor divertido dos amantes – Ludus
O amor obsessivo – Mania
O amor que resiste e se esforça em se manter – Pragma
O amor por si mesmo – Philautia
O amor desapegado – Agape

Para o budismo, os elementos do amor são:
A gentileza e a benevolencia com o outro – Maitri
A compaixão pelo outro– Karuna
A alegría ou felicidade ao estar com o outro – Mudit
A liberdade no encontro com o outro – Upeksha

Os muçulmanos entendem três níveis de amor:
Amor superior – por Alá
Amor médio – pela humanidade
Amor baixo – no baixo nível

Em vários graus de amor:
Atração – Al Hawa
Diversão – Al-Sabwa
Paixão – Al- Shaghaf
Preocupação com o amado – Al-Wajd
Obsessão – Al-Kalaf
Adulação – Al-Óshok
Ardor – Al-Najwa
Saudades – Al-Shawq
Dor insuportável – Al-Wasab
Submissão – Al-Istikana
Amizade – Al-Wodd
Unificação – Al-Kholla
Fervor – Al-Gharam
Loucura – Al-Hoyam

 

 

 


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